cordel, roça e memória popular

Patativa do Assaré

Agricultor, violeiro, cantor, compositor e poeta popular, Antônio Gonçalves da Silva fez da oralidade sertaneja uma obra marcada por lirismo, crítica social, cordel e linguagem coloquial.

Nasceu5 de março de 1909, Assaré, Ceará
Também foiAgricultor, violeiro, cantor e compositor
Marco“A triste partida” ganhou projeção com Luiz Gonzaga
Retrato em estilo xilogravura de Patativa do Assaré

O poeta que veio da terra

Nascido em Assaré, no Ceará, Patativa viveu como agricultor e teve poucos meses de escola formal. Ainda assim, alfabetizou-se, tornou-se leitor, memorizador de versos e uma das vozes centrais da poesia popular nordestina.

Antônio Gonçalves da Silva perdeu a visão do olho direito ainda criança, em consequência do sarampo, e ficou órfão de pai por volta dos oito anos. A vida na roça, a escuta do cordel e o trabalho familiar formaram o chão de sua poesia.

Aos 12 anos, frequentou a escola por poucos meses, tempo suficiente para aprender a ler e escrever. Na adolescência começou a fazer versos; em 1925 comprou uma viola e passou a cantar em festas e feiras.

Em 1929, durante uma estadia no Pará, foi associado ao canto da patativa pelo folclorista José Carvalho de Brito. O apelido se uniu ao nome de sua terra: Patativa do Assaré.

Uma vida em estrofes

Da infância marcada pela roça à projeção nacional de seus versos, a trajetória de Patativa combina memória oral, trabalho, rádio, livros, música popular e participação política.

1909

Nasce em Assaré

Antônio Gonçalves da Silva nasce em 5 de março, no Ceará, em uma família pobre de agricultores.

1913-1921

Infância dura

Perde a visão do olho direito após sarampo, fica órfão de pai e, aos 12 anos, passa poucos meses na escola.

1925-1929

Viola e apelido

Compra uma viola, canta em festas e feiras e, no Pará, recebe o nome artístico Patativa do Assaré.

1956

Primeiro livro

Com apoio de José Arraes de Alencar, publica Inspiração nordestina.

1964-1984

Brasil escuta

Luiz Gonzaga grava A triste partida; depois, Patativa enfrenta censura e participa das Diretas Já.

2002

Assaré em memória

Morre em 8 de julho, aos 93 anos, deixando obra literária, musical e política.

A palavra como ferramenta

Sua obra une versos regulares, rimas, oralidade, linguagem coloquial, religiosidade, memória, sátira e crítica sociopolítica. Patativa escrevia como quem declama: a palavra nasce para ser ouvida.

Cantar a vida do povo, com a força de quem aprendeu na terra.
1956Inspiração nordestina
1978Cante lá que eu Canto Cá
1988Ispinho e Fulô
1994 / 2000Aqui tem coisa e Cordel
DiscosPoemas e canções; Patativa do Assaré
Ler obras selecionadas

Obra e legado

O legado de Patativa é literário e político: sua vida de agricultor autodidata colocou em evidência o Nordeste pobre, a cultura oral, a força do cordel e a consciência social do sertão.

Literatura oral

Versos metrificados, rimados e declamativos, feitos para circular pela voz, pelo rádio, pelo folheto e pela memória.

Crítica social

Uma poesia sobre fome, seca, trabalho e desigualdade, com consciência política e linguagem próxima do povo.

Reconhecimento

Recebeu títulos, prêmios e homenagens, incluindo doutorados honoris causa e o Memorial Patativa do Assaré.

Assaré

Mesmo conhecido nacionalmente, permaneceu ligado à terra natal e à vida rural que alimentou sua poesia.

Música e rádio

Recitou na Rádio Araripe, gravou discos e teve poemas musicados por Luiz Gonzaga e Raimundo Fagner.

Autodidatismo

Com pouca escolaridade formal, leu clássicos, dominou métrica e rima e compôs muitos poemas de memória.

Fontes consultadas